domingo, 20 de junho de 2010

Eternal sunshine of the spotless mind

"Abençoados sejam os esquecidos,
pois tiram o melhor de seus equívocos."

Nietzsche

Este filme merece uma resenha. As imagens, metafóricas, confusas como a psique humana. As cenas e frases, metonímicas, se sobrepõem como um sonho interminável.
Surpreendente e maravilhosa atuação dramática de Jim Carey, escapando às caricaturizações e expressões exageradas.

E a pergunta que fica: É possível deletar fragmentos de nossa memória e recomeçar um trajeto a partir da descontinuidade? Em sendo possível, recomeçaríamos sem cometer os mesmos tropeços, os mesmos enganos, as mesmas escolhas? Talvez uma resposta afirmativa a estas questões seja um desejo muito forte entre nós; talvez seja uma lógica semelhante em que operam os traumas, momentos significativos no qual varremos lembranças de experiências perturbadoras, para nosso inconsciente, pois é a única saída encontrada [como defesa] para seguir adiante.

Mas o fato é que, subtrair estas memórias não implica em eliminar um sofrimento, por que continuamos buscando as mesmas experiências desafiadoras de nossa estrutura, e de repente estamos vivendo novamente parecida [se não a mesma] situação perturbadora. Por que afastar uma lembrança não é superar, sintetizar. Esquivar-se da mesma é tirar da consciência aquela sensação que incomoda, mas ela fica latente, a qualquer momento nos desarma.

E o desfecho do filme aponta neste sentido. Os esquecidos são levados, inconscientemente, a ativar o processo que os motivou a apagar as lembranças da mente. No caso particular, a [re]ativação foi gerada pelo mesmo objeto. Mas trazendo para o contexto de uma dita realidade, percebemos que boa parte das pessoas opera o esquecimento por se tratar da saída mais fácil, mas não se dão conta de que atraem ou se sentem atraidas pelas pessoas/situações que remetem ao fato "esquecido", e consequentemente propiciam a [re]vivencia do mesmo padrão.

Enfim, assistam quando tiverem oportunidade, e comentem. Não existem verdades absolutas, e sim multiplicidades de interpretações, motivada pela subjetividade de cada um. Acho que este filme propicia interessantes reflexões em cada um de nós.

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