domingo, 22 de novembro de 2009
Por falar em tempo...
Quantos lugares explorarei?
Que abraços me esperarão?
Quais olhares encontrarei?
A única instância do tempo
Que posso tocar, manusear
É o instante presente.
Em alguns momentos da vida
Faz-se necessário a destruição.
O fim de um ciclo propicia
A construção a partir de perspectivas novas
A partir de uma vibração diferente
Que tudo vê com olhos outros
Atentos, maduros, sensíveis.
Pois estes mesmos olhos são humildes
Visualizam o reflexo dos atos idos
E desenvolvem a própria cura.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Oração Ao Tempo
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
Caetano Veloso
sábado, 14 de novembro de 2009
Minha Casa
É mais fácil
Cultuar os mortos
Que os vivos
Mais fácil viver
De sombras que de sóis
É mais fácil
Mimeografar o passado
Que imprimir o futuro...
Não quero ser triste
Como o poeta que envelhece
Lendo Maiakóvski
Na loja de conveniência
Não quero ser alegre
Como o cão que sai a passear
Com o seu dono alegre
Sob o sol de domingo...
Nem quero ser estanque
Como quem constrói estradas
E não anda
Quero no escuro
Como um cego tatear
Estrelas distraídas
Quero no escuro
Como um cego tatear
Estrelas distraídas...
Amoras silvestres
No passeio público
Amores secretos
Debaixo dos guarda-chuvas
Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem
Não posso parar
Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem
Não posso parar...
Como passa
Uma escola de samba
Que atravessa
Pergunto onde estão
Teus tamborins?
Pergunto onde estão
Teus tamborins?
Sentado na porta
De minha casa
A mesma e única casa
A casa onde eu sempre morei
A casa onde eu sempre morei
A casa onde eu sempre morei...
Zeca Baleiro
Projeto
sem esquecer de trilhar o trajeto.
Se este for longo,
duro, incerto ou deserto
Me desvencilho do medo
Caso meu coração aponte
estar no caminho reto.
Vislumbramento.
Nem quero me preocupar
Com os (des)caminhos da razão.
Procuro a cada nascer do sol
A esperança da compreensão
Apreender a alteridade.
Mergulho em mim mesma
E vislumbro a profundidade
dos agires, quereres, sentires.
Quero buscar a alegria
nos cantos mais simples do viver.
Quero estar contente
em estar exatamente onde estou.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Singela Homenagem.
Claude Levi-Strauss
Citação retirada da obra Pensamento Selvagem
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Delírio
Não vou buscar
A esperança
Na linha do horizonte
Nem saciar
A sede do futuro
Da fonte do passado
Nada espero
E tudo quero
Sou quem toca
Sou quem dança
Quem na orquestra
Desafina
Quem delira
Sem ter febre
E o parceiro
Das verdades
À desconfiança
Secos & Molhados
Gerson Conrad e Paulinho Mendonça